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Efeito da alta do preço da carne vermelha: com aumento da procura por frango e peixe, preços devem subir


No último mês a carne bovina teve alta de 35%; com aumento da procura por frango e peixe, preços devem subir

O efeito do preço da carne vermelha, que subiu mais de 35% em um mês em São Paulo, no valor do frango e do peixe está sendo analisado de perto pelo governo. A avaliação é de que a inflação de outras carnes seria um movimento natural de livre mercado, ou seja, com o aumento da procura por frango e também por peixe, é de se esperar que haja reajuste nos preços desses itens, principalmente nesta época de fim de ano.

No Ministério da Agricultura, a análise é de que o preço da carne vermelha deverá se estabilizar em um patamar de preços influenciado diretamente pelo custo internacional da proteína. Hoje, o preço da arroba do boi gordo - o equivalente a 15 quilos de carne - oscila entre US$ 40 e US$ 50. Se considerada a cotação desta sexta-feira, 29, com o dólar a R$ 4,23, chega a um preço de até R$ 201 pela arroba do boi. Ou seja, para o ministério, o preço da carne deve se estabilizar nesse patamar.

Nesta semana, em São Paulo, a arroba, que era vendida até o mês passado por R$ 140, em média, chegou a ser negociada por R$ 231 (algo em torno de US$ 54). Isso leva o governo a crer que haverá, depois da “euforia” com as importações chinesas, uma “acomodação” do preço no mercado nacional, mas sem retornar ao patamar anterior.

Na quinta-feira, 28, em entrevista ao Estado, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que, além do efeito das exportações, é preciso considerar fatores internos, como o preço nacional cobrado pelo pecuarista, que estava sem reajuste há três anos, além da seca prolongada, que mexeu com a produção do boi gordo. “Sabemos que essa situação decorre de uma conjuntura de fatores. Agora, a arroba não vai baixar mais ao patamar que estava”, disse.

O mercado chinês tem apresentado uma variação brusca de preços. A tonelada da carne, que estava sendo exportada ao país asiático pelo preço médio de R$ 7 mil, já é negociada em R$ 6 mil.

O governo refuta qualquer risco de desabastecimento de carne no mercado nacional. O País tem hoje um rebanho de 215 milhões de cabeças de gado, ou seja, há mais bois no pasto que cidadãos no Brasil.

Fonte: Estadão

Goiás é sexto no Brasil, com obras públicas suspensas ou paralisadas

                                                     Hospital e Maternidade Oeste esta com as obras paradas

Goiás está entre os seis estados brasileiros com maior quantidade de grandes obras públicas suspensas ou paralisadas.

Goiás está entre os seis estados brasileiros com maior quantidade de grandes obras públicas suspensas ou paralisadas. A informação é de um diagnóstico realizado pelos 33 tribunais de contas do país, entre os dias 15 de fevereiro e 15 de março deste ano, agrupado pela Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). O levantamento não é conclusivo, por ter sido obtido mediante pesquisa declaratória, a partir de um questionário elaborado pelos TCs e aplicado junto aos jurisdicionados de cada um.

Para obtenção desse diagnóstico preliminar, foram consideradas as obras com valores de contrato acima de R$ 1,5 milhões e iniciadas a partir de 2009. Com base nesses critérios de referência, os tribunais de contas do Brasil detectaram 2.555 obras (paralisadas ou suspensas), com valores contratados que atingem a cifra de R$ 89.559.633.165,90.

Em Goiás, são 116  grandes obras paralisadas, alocadas em 113 contratos, segundo informaram os órgãos oficiados. Estão incluídas obras de responsabilidade da Goinfra, Saneago, Secretaria da Saúde, Secretaria de Indústria e Comércio, Agehab, Codego e Ipasgo.

O presidente da Atricon, Fábio Nogueira, diz que, embora não tenha sido empregado um procedimento de auditoria, os números são expressivos e corroboram a necessidade de uma correção de forças interinstitucionais. Ele se referiu à Cooperação Técnica envolvendo a Atricon, o Conselho Nacional de Justiça e o Tribunal de Contas da União, com fundamento na Lei n. 8.666, de 1993, cujo Termo foi assinado no último dia 4 de junho, em solenidade no CNJ.

Razões apontadas para paralisação das obras
Os números mais expressivos de obras paralisadas ou suspensas estão na região Sudeste do país: São Paulo com 325; Rio de Janeiro com 224; e Minas Gerais com 189. Dentre as razões gerais apontadas para a paralisação das obras, a suspensão de repasses de recursos conveniados é a mais relevante, com 20,9% das respostas. Os gestores também declararam pendências com as construtoras contratadas (20,5%), seguido de falhas no planejamento (19,1%).

Fábio Nogueira, informou que esse primeiro diagnóstico irá servir como subsídio às próximas etapas. Segundo ele,  a partir dessas informações, cada Tribunal de Contas,  irá relacionar as obras consideradas prioritárias , por exemplo daquelas que contemplam as áreas de saúde e educação – para um aprofundamento analítico das causas da paralisação, ou impedimento da continuidade dos serviços.

Nessa fase, conforme Fábio Nogueira, serão empregados critérios de auditoria, com análise de documentos, verificação in loco, dentre outros procedimentos específicos. “A intenção principal é encontrar meios para destravar essas obras, a fim de que a população possa se beneficiar de serviços públicos de qualidade”, destacou.

De acordo com Fábio Nogueira, a reativação das obras, também, deverá representar um significativo incremento na economia do país e, além disso, poderá disponibilizar equipamentos e serviços públicos, que fazem falta à população.

Fonte: Dia Online

Sem Melhorias: Passagem de ônibus de é reajustada para R$ 4,30


A Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (CDTC) aprovou na manhã desta quarta-feira (17), o aumento da tarifa para R$ 4,30. A reunião foi, a portas fechadas, realizada no salão nobre do Paço Municipal. A imprensa não teve acesso. A decisão do aumento de passagem foi aprovada por 7 a 2 e já passa a valer a partir da próxima sexta-feira (19), a partir das 5h.

A Câmara é composta por 11 membros, destes apenas Euripedes Barsanulfo (Agência Goiana de Regulação-AGR) e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, não compareceram a decisão.Entre os presentes, o deputado estadual Alysson Lima e o vereador Lucas Kitão foram os únicos contrários ao aumento das passagens.

O presidente da CDTC e prefeito de Trindade, Jânio Darrot, explicou que o aumento foi aprovado pelos órgãos de fiscalização e é um ato automático previsto em contrato.

“Em dezembro foi solicitado um aumento por parte das empresas a CMTC que fez os estudos técnicos e passou para a análise da AGR. A Agência de Goiana de Regulação do Governo de Goiás fez também os seus estudos e aprovou o aumento. A CMTC acaminhou o parecer para a CDC para que fosse então deliberado sobre o aumento que já deveria ter sido implantado no mês de dezembro, mas nós estamos discutindo uma série de melhorias no transporte como melhoria dos ônibus e no conforto dos passageiros durante os meses de janeiro fevereiro março e agora nesse mês de abril”, explicou Darrot.

Em 28 de fevereiro, o presidente da CDTC, disse à Sagres que o aumento de tarifa só seria aprovado depois da reestruturação do transporte. Hoje, depois da aprovação do reajuste, ele disse que "reunirá nos próximos dias “para deliberar sobre melhorias, condições e metas para que as empresas cumpram”, sem detalhar como isso será feito.

O presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Benjamim Kennedy, em entrevista coletiva, explicou que um dos problemas é que a passagem é a fonte de recursos para o transporte público e a solução para melhores tarifas seria a desoneração do sistema

“Com a desoneração da tarifa nós teremos o custeio dos terminais que passaram para o poder público, o custeio do órgão gestor que passaria para o poder público e também da gratuidade que representa praticamente 23% do sistema. Idoso, portador de deficiência e demais pessoas que não pagam a tarifa do transporte coletivo são esses valores eles são todos sustentados pela tarifa atual”, explicou Kennedy.

Benjamim Kennedy sugere que além da passagem, outras fontes sejam implementadas dentro do sistema que poderiam vir do uso de veículo individual ou de estacionamentos.

Histórico dos valores das passagens de ônibus na Região Metropolitana de Goiânia

-2008 Passagem custava R$ 2,00

-2009 Passagem subiu de R$ 2,00 para R$ 2,25

-2010 Passagem ficou mantida em R$ 2,25

-2011 Aumento de R$ 2,25 para R$ 2,50

-2012 (Aumento de R$ 2,50 para R$ 2,70- valor começou a ser aplicado em 20 de maio)

-2013 (Congelamento do valor da passagem em R$ 2,70, oficializado em 19 de junho)

-2014 (Aumento de R$ 2,70 para 2,80- valor começou a ser aplicado em 3 de maio)

-2015 (Aumento de R$ 2,80 para R$ 3,30- valor começou a ser aplicado em 16 de fevereiro)

-2016 (Aumento de R$ 3,30 para R$ 3,70- valor começou a ser aplicado em 6 de fevereiro)

-2017 (Congelamento do valor da passagem em R$ 3,70, oficializado em 18 de maio e confirmado em 12 de junho)

-2018- (Aumento de R$ 3,70 para R$ 4,00- valor começou a ser aplicado em 24 de janeiro)

-2019 (Aumento de R$ 4,00 para R$ 4,30- valor começará a ser aplicado em 19 de abril)

Eixo Anhanguera

O prefeito de Goiânia entregou aos integrantes da CDTC uma carta de intenções assinada por ele e pelo governador Ronaldo Caiado (DEM)O prefeito de Goiânia entregou aos integrantes da CDTC uma carta de intenções assinada por ele e pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) que expressa a intenção de efetivar estudos para avaliar a viabilidade jurídica e econômica da rescisão amigável da concessão do Eixo e a necessidade de uma licitação para selecionar empresa que cará a frente do serviço. Na fundamentação da carta, é exposta a situação financeira da Metrobus, cuja crise estaria prejudicando a qualidade do transporte no Eixo Anhanguera.

Integrantes da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo:

-- Prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha

-- Prefeito de Goiânia, Iris Rezende

-- Prefeito de Trindade, Jânio Darrot representante dos demais prefeitos da Região Metropolitana (Presidente da CDTC)

-- Secretária de Estado de Meio Ambiente (que responde pela região metropolitana de Goiânia), Andreia Vulcanis

-- Secretário municipal de Planejamento e Habitação, Henrique Alves

-- Secretário municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade de Goiânia, Fernando Santana

-- Presidente da CMTC, Benjamin Kennedy

-- Presidente da Agência Goiana de Regulação, Eurípedes Barsanulfo

-- Deputado estadual Allysson Lima, representante da Assembleia Legislativa

-- Vereador Lucas Kitão, representante da Câmara de Goiânia

-- Vereador de Trindade representando as demais cidades

Fonte: Sagres 

Secretário anuncia construção de novo hospital para desafogar Materno Infantil



O secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino Júnior, disse em entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira, 12, no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), que a nova gestão irá trabalhar na construção de um novo hospital, no intuito de desafogar a demanda do Materno infantil. Além disso, anunciou a ampliação da oferta de leitos pediátricos na unidade de emergência.

“Temos pautado nossa gestão sem perder o foco do usuário. No primeiro dia de governo, eu, o governador Ronaldo Caiado e o deputado Zacharias Calil (DEM) estivemos no Materno Infantil, às 11h da noite, e as condições que encontramos eram condições jamais imaginadas dentro de um hospital que é referencia em saúde infantil do Estado. Aquilo nos incomodou profundamente, e desde então, com o apoio do governador, do ministro, deputados estaduais e federais, temos trabalhado diuturnamente para mudar a realidade da pediatria no Estado”, declarou o secretário.

Na ocasião, esteve presente, também, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que anunciou a liberação de R$ 14,7 milhões de recursos federais para ampliar e qualificar a assistência em saúde no estado de Goiás.  A capital, por sua vez, vai receber R$ 1,5 milhão para reforçar a atenção à saúde da gestante, do bebê, e das pessoas com deficiência.

O secretário disse ainda, que viram no Materno Infantil a oportunidade de dar uma resposta rápida antes de construírem uma resposta definitiva, referindo-se ao novo hospital que está previsto para ser entregue nesta gestão.

“Há mais ou menos duas ou três semanas, foi noticiada uma fatalidade no HMI, as crianças estavam sendo atendidas no corredor por excesso de contingente de pacientes, agora, essas crianças passarão a ter dignidade no atendimento com essa ampliação de 55 leitos de pediatria, 45 de enfermaria e 10 de unidade de terapia intensiva”, pontuou Ismael.

O deputado Zacharias Calil usou a palavra para falar de sua luta na questão da pediatria no estado. “Entrei no serviço público em 1986, sempre estive no Materno Infantil e sempre falei para os nossos governadores que a pediatria encontrava-se esquecida, por isso chegamos aonde chegamos, em um ponto crítico”. O deputado afirmou, ainda, que o hospital está sem condições de atendimento, e reiterou o apoio da bancada federal nesta questão.

As medidas emergenciais para dar suporte ao HMI anunciadas, hoje, no Hugol entram em vigor imediatamente, e segundo o Diretor Geral da unidade, Hélio Ponciano Trevenzol, esses leitos irão melhorar a oferta de atendimento pediátrico humanizado para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em Goiânia.


Buracos se multiplicam no asfalto de Goiânia



Com início das chuvas, moradores reclamam de problemas e Prefeitura anuncia intensificação de ações de reparo em vias da capital

Os buracos no asfalto das ruas de Goiânia já começaram a se multiplicar. Todos os anos quando o período chuvoso se intensifica eles aparecem. A reportagem do POPULAR percorreu bairros de diferentes regiões da capital na tarde desta quinta-feira (8) para ouvir moradores sobre o problema. A Prefeitura de Goiânia informou que o trabalho de tapa-buraco é realizado o ano todo, mas que nessa época, o serviço é intensificado e que a Secretaria de Infraestrutura pode ser acionada por telefone e WhatsApp.

Um buraco causado pela chuva preocupa o comerciante Adonias Hungria. Ele mantém uma loja de peças para veículos na Avenida Anhanguera, na Vila Morais, e bem em frente à sua porta um buraco já causou vários acidentes, segundo explica. “A gente colocou um pouco de entulho, um pedaço de pau para evitar mais acidentes. Já vimos motociclistas caírem aí, carros batem a roda, o que causa prejuízo”, destaca. Ele afirma que o buraco está ali há 15 dias. “Se não arrumarem logo, teremos muitos outros acidentes”, diz.

Na Avenida C, também na Vila Morais, o mecânico Augusto Duarte reclama que um buraco feito há 60 dias para a conclusão de um serviço nunca foi fechado. O buraco acumula água e tem aumentado com os dias. “A gente já ligou, já pediu para virem arrumar e até hoje nada. Esperamos que seja resolvido logo. Com o aumento das chuvas, temos medo de que o buraco fique ainda maior. Ele já tem pegado muito motorista de surpresa. Se ficar maior, vai causar muito prejuízo”, ressalta.

A comerciante Analice Magalhães de Sousa mantém sua loja na Avenida Laurício Pedro Rasmussen, no Bairro Feliz. Ela diz que o buraco perto da calçada também pega motoristas de surpresa. “Já vimos até pessoas caindo nesse buraco. Eles acham que é raso, que dá pra passar, mas quando pisam, levam tombo”, afirma.

Resposta

A Prefeitura de Goiânia encaminhou nota sobre o assunto e diz que no período de estiagem oito equipes trabalham diariamente e tapam até três mil buracos, em 20 bairros, diariamente. Ainda de acordo com a Prefeitura, com a chegada do período chuvoso, mesmo com o esforço de aumento do número de equipes para 14, este trabalho acaba ficando prejudicado, principalmente em dias de chuva contínua.

A explicação da Prefeitura detalha que técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) definem os bairros que serão atendidos pelas equipes conforme as solicitações realizadas por meio dos canais de atendimento da secretaria e levantamentos feitos por servidores por toda a cidade. Um cronograma dos serviços a serem realizados é feito e cumprido diariamente.

A Seinfra informou que utiliza o Concreto Betuminoso Usinado a Quente, o chamado (CBUQ) e explica que a recomendação é que ele seja aplicado em superfície seca, mas em situações emergenciais o trabalho é realizado e quando a chuva dá uma trégua para que o serviço volte ao normal.

População pode usar WhatsApp

A Seinfra deixa à disposição os números 62 3524-8363, 62 3524-8367 e 62 98493-7229, que é WhatsApp para receber indicações de locais que precisam ser reparados.

A Seinfra informou que a idade avançada do asfalto contribui para o surgimento de buracos e que busca empréstimo junto ao Banco Andino para recapeamento de mais de 650 quilômetros de vias da capital.


Caiado 2019: Folha salarial do governo de Goiás compromete quase 70% da receita estadual e trava investimentos


O crescimento da folha saltou de R$ 990 milhões para R$ 1,3 bilhão em 2018. Mesmo sem os comissionados, a folha do funcionalismo representa um grande peso para o Estado

A folha de pagamento dos servidores públicos estaduais consome quase 70% da arrecadação mensal do governo (a ex-secretária da Fazenda Ana Carla Abrão chegou a dizer que, com os penduricalhos que são incorporados e se tornam salários, chega a 76,8%). Os dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Fazenda revelam que o governo gasta mensalmente R$ 1.370 bilhão em pagamento de salários dos servidores e arrecada R$ 1,9 bilhão. O dinheiro é distribuído para 172.600 trabalhadores lotados em diversos órgãos espalhados pelo Estado. São servidores ativos, aposentados, pensionistas e comissionados.

Ao contrário do que sugere a economista Ana Carla Abrão, o economista Everaldo Leite afirma que a quantidade de servidores e o tamanho da folha de pagamento não são os grandes gargalos do setor público. O problema está na lotação desses servidores, em grande parte, em órgãos nos quais não deveriam estar. Outro problema é a criação de estruturas administrativas para acomodar militantes e pessoas ligadas a partidos políticos e campanha eleitoral. “Tem uma série de servidores que não precisariam existir, quer dizer, a função deles não deveria existir. Vários cargos foram criados para acomodar aliados políticos. Essas áreas foram criadas ampliando os elos da cadeia burocrática.”

Ao longo dos anos, o Estado criou diversos cargos comissionados e até estruturas inteiras que oneraram o custo do serviço público e a folha de pagamento, sustenta Everaldo Leite. Uma fonte do governo, em off, disse ao Jornal Opção: “Mesmo sem os comissionados, a folha de pagamento do funcionalismo é extremamente pesada e dificulta investimentos em obras de infraestrutura, por exemplo. Basta dizer que os 172.600 servidores do Estado ficam com cerca de 70% de tudo o que o governo arrecada. E é preciso lembrar que Goiás tem uma população de 6,4 milhões de pessoas. Pergunte a um empresário se sua folha chegasse a 70% de toda sua arrecadação se teria condições de manter-se no negócio”. Um auditor fiscal aposentado afirma que, além da folha, há o serviço da dívida e o custeio da máquina. “O resultado é que não sobra nada para investimentos. Por isso o Estado precisa recorrer, com frequência, a empréstimos.”

Cotado para ser secretário da Fazenda da gestão do governador eleito Ronaldo Caiado, o deputado estadual Lívio Luciano (Podemos) afirma que diversas secretarias de Estado e autarquias poderiam ter uma estrutura enxuta e eficiente, que respondesse de forma satisfatória a qualidade que o cidadão cobra dos serviços prestados. “Tem muitos órgãos no governo estadual que tem chefias desnecessárias e ineficientes que poderiam ser extintas”, sugere o parlamentar e auditor fiscal do Estado. Uma reforma administrativa na estrutura da máquina estadual resolveria grande parte do custo com a folha de pagamento ao eliminar os elos burocráticos da cadeia produtiva.

Para Everaldo Leite, o Estado consegue funcionar com eficiência em uma estrutura menor e mais tecnológica. “Informatizar muitos serviços públicos pode eliminar o excesso de servidores e acelerar o andamento de processos dentro dos órgãos.”

Entre os 172.600 servidores que o Estado paga por mês, 66.688 são efetivos e estão na ativa e 46.947 são aposentados. Os dois grupos representam os maiores gastos com pagamento. Os efetivos consomem R$ 519 milhões mensais e os aposentados R$ 253 milhões, ou seja, quase 70% do gasto total com pessoal.

Existem casos de servidores efetivos que acumulam cargo em comissão. Em Goiás, são 961 funcionários públicos nesta situação. Eles recebem adicionais que chegam a R$ 18 milhões.
Os maiores gastos, em termos proporcionais, são com servidores requisitados e comissionados. Apenas 46 pessoas recebem R$ 462 mil por mês. Os cargos comissionados não representam uma fatia expressiva da folha — são 6.857 cargos em comissão que recebem R$ 26 milhões, média de R$ 3,9 mil mensais. Os estagiários do Estado também são poucos representativos no bolo total. O Estado distribui R$ 1 milhão para 1.555 pessoas, média de R$ 643 por estagiário.

Os salários mais baixos são do pessoal sem vínculo com o Estado que recebe em média R$ 598. São 1.311 funcionários terceirizados que consomem R$ 785 mil da folha. Outros gastos mais acentuados estão com pensionistas, R$ 60 milhões para 11.392 pessoas; pensionistas especiais, que recebem R$ 5 milhões distribuídos para 1.940 beneficiários; funcionários requisitados são 2.001 e dividem R$ 7 milhões. Os temporários são 25.642 e somam R$ 59 milhões da folha. Funcionários reformados representam R$ 79 milhões para 7.165 beneficiários. Os médicos residentes do Estado dividem R$ 279 mil. Atualmente são 84 residentes recebendo uma média de R$ 3.321 mil por mês.

Política equivocada

O diretor jurídico do Sindicato dos Funcionários do Fisco em Goiás (Sindifisco), Cláudio Modesto, analisa a política salarial dos governos passados como equivocada, o que tem onerado cada vez mais a folha estadual. “Os governadores de Goiás abandonaram a data-base e negociaram os reajustes diretamente com as categorias. Os servidores públicos com mais representatividade, como os da Educação e da Segurança Pública, conseguiram reajustes salariais acima do que seria pago pela data-base”, explica Modesto.

A data-base é garantida pela Cons­tituição Federal, assinala o diretor do Sindifisco, e garante os reajustes anuais com base na inflação do ano.

Cláudio Modesto afirma que outro erro na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, foi impedir o crescimento vegetativo da folha de pagamento. Se impediu a progressão de muitas categorias, permitiu a progressão na carreira das polícias, na Defensoria Pública e na Saúde, e ainda permitiu o pagamento de quinquênios. “Existem certas categorias que entraram no Estado com salários de R$ 4 mil e tem reajustes que chegam a R$ 15 mil.”

Segundo Lívio Luciano, alguns reajustes concedidos em 2015 para as polícias Civil e Militar de Goiás e para servidores da Saúde aumentaram a folha de R$ 980 milhões, em dois anos, para R$ 1.370 bilhão — até o mês de outubro. “Em novembro, os servidores recebem reajustes parcelados desde 2015 e a folha está indo para 1.370 bilhão. Em outubro de 2018, a folha ficou em 1.260 bilhão, ou seja, aumentou 110 milhões de reais de outubro para novembro. O comprometimento da folha chega a 70% da receita arrecadada pelo governo”, frisa o deputado-auditor fiscal,

“A folha vem subindo em progressão geométrica e a receita em progressão aritmética. E a crise econômica que o Brasil passou recentemente acentuou essa discrepância. Então vai se tornando cada vez mais inviável os investimentos por parte do Estado em diversas áreas”, avalia o deputado. Ele acrescenta que a Polícia Militar sofre um déficit de recursos humanos grave. O efetivo atual é de um terço do que foi recomendado pela Segurança Pública.

“Se a receita for crescente, é possível conceder reajuste. A grande linha de despesa de qualquer máquina pública é a folha, mas não dá pra mexer com isso por causa do princípio da irredutibilidade salarial”, diz Lívio Luciano.

É possível que, a partir de determinado momento, sobretudo sem crescimento da economia, o Estado não consiga pagar os reajustes? Ex­perts em economia acreditam que sim. Eles sugerem um “pacto social” com os servidores. Mas admitem que é uma missão “quase impossível”.

O site da Transparência do governo do Estado de Goiás registra que o crescimento vegetativo da folha saltou de R$ 992 milhões em janeiro deste ano para R$ 1,04 bilhão em outubro.

Quando selecionado apenas o governo de Estado como filtro para pesquisa são 221 servidores comissionados (62,72%) contra 22 efetivos (9,04%). Os comissionados representam R$ 1,264 milhão e os efetivos R$ 182 mil. O salário do chefe de gabinete do governador, por exemplo, também cargo comissionado, é de R$ 14 mil mensais. Outro cargo é de chefe de Gabinete Particular do governador; seu salário é de R$ 18 mil. O governador do Estado recebe proventos de R$ 25 mil.

Os 11 membros do Conselho Estadual de Cultura de Goiás recebem jetons de R$ 15.990,00. Os membros do Conselho Estadual de Educação, composto por 26 integrantes, recebem jetons de R$ 137.700,00, em média R$ 5,2 mil para cada membro. A professora Raquel Teixeira, candidata a vice-governadora na chapa de José Eliton, foi indicada pelo governador para ocupar uma cadeira de membro do conselho. A governadoria encaminhou o projeto com o nome de Raquel Teixeira aos deputados estaduais no primeiro dia 1º de outubro. Além dela, constam mais dois nomes.

Um dos maiores salários do Estado é o de procurador (LC 123), com apenas um servidor ativo no site da Transparência, que recebe R$ 28.600 mil. Já um professor assistente classe A percebe remuneração de R$ 4.838 mensais.

Episódio de suposto não pagamento dos funcionários

O governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) publicou um vídeo, em sua conta do Instagram, denunciando um suposto calote aos servidores estaduais nas duas próximas folhas de pagamento que antecedem o início de seu mandato — novembro e dezembro.

O senador mostrou uma cópia de uma revogação do decreto que garantiria o pagamento do funcionalismo dentro do mês trabalhado. No vídeo, Caiado falou que o governo não pretende pagá-los e deixou subentendido que os salários precisariam ser arcados por sua gestão (assume no dia 1º de janeiro de 2019). O governo do Estado divulgou nota afirmando que os pagamentos serão rigorosamente cumpridos, como aconteceu nos últimos três anos. “O cronograma de pagamento para os que recebem vencimentos inferiores a R$ 3,5 mil líquidos já foi cumprido, ou seja, 70,9% dos servidores receberam seus salários no dia 30 do mês”, explica a nota. Cerca de 70% dos servidores públicos que recebem menos de R$ 3,5 mil correspondem a 111.000 mil do total de 172.600 e 30%, cerca de 61.000 servidores, recebem acima do valor citado.

Os servidores dos tribunais de Contas do Estado, dos Municípios, da Justiça e da Secretaria Estadual de Fazenda tiveram os salários parcelados no mês de outubro. O Tesouro Estadual precisou pagar primeiro as dívidas com agentes financeiros para não ter dinheiro público bloqueado pela Justiça. O Estado pagou 40% dos salários no dia 11/10 e os 60% restantes na semana seguinte.

“Tem empresas terceirizadas que não estão recebendo os repasses mensais. Por isso há uma greve na área de segurança da Universidade Estadual de Goiás em Anápolis. Tem um erro matemático entre receita e despesa, isso é claro”, aponta Everaldo Leite.

Gratificações de jeton

Em abril de 2017, a governadoria encaminhou um projeto de lei aos deputados estaduais propondo o pagamento de gratificações de Jetons aos servidores do Depar­tamento de Trânsito de Goiás (Detran). Essa gratificação será paga aos funcionários que participarem da aplicação do exame de prática de direção veicular.

Se o colaborador for integrante da Comissão examinadora de Trânsito na capital ou em cidades do interior receberá o Jeton de R$ 180 e se for presidente de Comissão R$ 220 por participação. Se houver execução de atividades da Comissão aos sábados, domingos ou feriados, os valores citados serão acrescidos em 15%.

Atualmente, 108 servidores do Estado recebem jetons que somam R$ 488 mil por mês. Essa gratificação, normalmente, é paga aos membros de conselhos de autarquias e empresas estatais por participarem de reuniões com cunho deliberativo ao órgão representante.

Economista sugere privatização da Saneago

A busca pela eficiência da máquina estatal precisa ser constante, sugere Lívio Luciano, qualificando as despesas e aprimorando as receitas. “Pode-se fazer uma reforma administrativa estrutural a fim de enxugar uma porcentagem desse gasto. O Estado tem gastado mal ao longo dos anos e não consegue cumprir os 12% de investimento mínimo na Saúde, porcentagem mínima exigida”, sublinha o deputado.

Defensor da tese da reforma administrativa, Everaldo Leite diz que a reforma deve focar a desburocratização dos órgãos. “Se alocar o capital humano eficientemente, nos locais onde existe a necessidade de haver técnicos, se eliminaria uma série de cargos e áreas políticas que nada acrescentam dentro da cadeia burocrática.”

Outra saída seria trabalhar o aspecto técnico do servidor comissionado e colocá-lo em lugares que realmente precisam. “É preciso colocar a pessoa certa no lugar certo. O Estado está desorganizado neste sentido. É preciso ter professor dentro da sala de aula, por exemplo. Então é possível reduzir o gasto com folha desta forma”, destaca o economista.

Uma terceira via para redução de gastos com pessoal é privatizar os setores que podem ser privatizados, como a Saneago, propõe Everaldo Leite. “As empresas públicas que podem ser privatizadas, como é o caso da Saneago e que já aconteceu com a Celg, isto ajudaria muito.”
Para o diretor do Sindifisco Cláudio Monteiro, o recomendável é cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Os reajustes têm força de lei e não podem ser suprimidos. É importante fazer o reajuste em cima só da perda inflacionária, que é o constitucional. Os comissionados não serão os problemas do Estado, pois recebem salários menores e são demissíveis a qualquer momento. Mas também poderiam ser cortados.”